quinta-feira, 27 de junho de 2013

Líder mundial do Hare Krishna, comenta o descontentamento do povo brasileiro na Copa


Guru Hridayananda Goswami Acharyadeva, líder mundial do Hare Krishna, comenta sobre a situação politica atual do Brasil e sobre o descontentamento e as manifestações do povo brasileiro nessa Copa da Confederações:

Pergunta:
Atualmente, estamos presenciando populares protestos em massa no Brasil, com milhões de pessoas saindo às ruas. Como vaishnavas, como devemos nos posicionar diante desta situação?

Guru:
Eu tenho acompanhado reportagens sobre os protestos no Brasil. Evidentemente, muitas pessoas estão frustradas com a corrupção política endêmica, e com a falta de progresso na educação, economia, etc. Até mesmo a presidenta brasileira Dilma Rousseff admitiu que o povo tem queixas legítimas.

Os devotos certamente apoiam governos bons, honestos. Isso é dharma. Ao mesmo tempo, a história mostra claramente que a ação política por si só não é suficiente para criar uma sociedade justa. Também deve haver a consciência de Krishna. Caso contrário, os revolucionários de hoje se tornarão o novo governo corrupto de amanhã. Em muitos países, os devotos cantam e distribuem prasadam e livros em comícios de protesto. As pessoas que estão comprometidas com a mudança geralmente ouvirão boas ideias a respeito do tipo de mudança de que precisamos. Devemos convencer as pessoas de que a mudança deveria ser holística e deve incluir o reconhecimento de que uma sociedade baseada no narcisismo e no consumismo,,,, em vez de valores espirituais,,,, sempre produzirá líderes corruptos.

Como se diz no Brasil:
“Toda sociedade tem o governo que merece”.

Fonte: ISKCON Bahia


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Líder do Hare Krishna em Belo Horizonte, fala sobre as manifestações do Brasil na Copa


Sri Krishna Murti, líder local do Hare Krishna em Belo Horizonte, fala sobre as manifestações que vem ocorrendo no Brasil nessa Copa das Confederações:

A Verdadeira Revolução

" Nasci e cresci em um meio absolutamente politizado. Meus pais, em um tempo em que as ideologias moviam a juventude, eram líderes comunitários em uma comunidade carente de Belo Horizonte. Integrantes de um movimento da Igreja Católica, que ficava à margem do Vaticano, chamado Teologia da Libertação, fizeram a chamada “opção preferencial pelos pobres”, indo morar em um bairro muito humilde e sem nenhuma estrutura na capital mineira. Ao lado de amigos e com o apoio de grandes nomes do movimento, como Frei Beto e o grande e brilhante Dom Helder Câmara, formaram uma comunidade de base, mudando a vida do bairro pra sempre. Ajudaram na conquista de pavimentação, saneamento básico, linhas de ônibus, posto médico, escolas e urbanização de vilas.

O trabalho também incluía uma espécie de evangelização, com leituras e discussões da Bíblia, sem nunca deixar a formação política de lado. Era o chamado comunismo cristão ou espiritual. Curiosamente, Srila Prabhupada, fundador da ISKCON – Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna – e um dos mestres religiosos mais lidos e respeitados no mundo, usou o mesmo termo. Esses estudos, aliás, nunca deveriam ter sido interrompidos.

Minha mãe, que é médica, foi presidente da associação comunitária do bairro por diversas vezes, bem como responsável pelo Movimento de Promoção Social, que trabalhava com crianças e adolescentes em situação de risco. Meu pai, formado em administração, foi presidente de sindicato, liderou greves, teve profunda atuação partidária em Belo Horizonte, vereador e deputado estadual em vários mandatos e, recentemente, vice-prefeito de BH. Eu, obviamente, vi tudo isso muito de perto. Quando criança, ia para todas as plenárias, assembleias, reuniões, passeatas, comícios, manifestações etc. Na adolescência, crescendo em um bairro pobre e vendo o tráfico de drogas ficar cada vez mais sério, evitei todo tipo de intoxicação desse nível. Afinal, via amigos da rua se tornarem traficantes, serem presos e mortos. Apesar de ter uma boa situação financeira, nunca tive uma relação “romântica” com maconha e seus colegas do gênero.

Conheci a consciência de Krishna, popularmente conhecida como Movimento Hare Krishna, fazendo um trabalho da minha faculdade de jornalismo. Imediatamente, meu pai ficou preocupado com o que aquilo representava, por entender na época que os devotos eram muito “distantes da realidade” e afastados das lutas sociais. Ele mudou muito sua visão sobre o Movimento Hare Krishna com o tempo. Formei-me em jornalismo e trabalhei por cinco anos na Fundação Municipal de Cultura, órgão da Prefeitura de Belo Horizonte. Pude entender bastante como é o serviço público. Posteriormente, tive uma experiência trabalhando na Assembleia Legislativa, onde fui capaz de ver de perto o cotidiano dos deputados, o funcionamento da casa, lideranças comunitárias e os movimentos sociais. Não que eu já não convivesse com isso desde sempre, mas foi outro tipo de olhar.

Em toda essa minha vida de experiência e profundo contato com a política, compreendi que ela é absolutamente incapaz de mudar a grande maioria das situações indesejáveis no país. O que é realmente fundamental é uma mudança drástica de consciência. E isso apenas os espiritualistas genuínos podem proporcionar. Certamente, não estou me referindo apenas ao Movimento Hare Krishna, mas a todos os religiosos e transcendentalistas que têm o desenvolvimento de uma relação real com Deus como a maior meta da vida, derrotando o ego e se entregando ao prazer do gosto superior.

Ao longo desses anos, foram inúmeros os grandes líderes que eu conheci que, ao chegar ao poder, foram corrompidos por ele e se ocuparam nos mesmos erros dos seus anteriores. Gente inteligente, preparada e até, às vezes, idealista, vítimas de uma consciência pequena, que não suporta os benefícios da egolatria. Independente dos avanços que vários desses conseguiram, não foram capazes de implementar uma mudança profunda em nosso sistema político. Até porque seriam possíveis vítimas dessa própria mudança.

Ao longo desses anos, vi e convivi com esse sistema político, completamente sujo e viciado. Quem entra, por melhor que seja, está muito mais sujeito a se mudar do que a mudar o sistema. É cruel. Os que não fazem isso têm sua capacidade de trabalho absolutamente destroçada, conseguindo realizar cerca de 5% do que poderiam. Afinal, o capitalismo é a base de tudo e, em sua selvageria, exige sangue. Empreiteiras e banqueiros ficam por trás de tudo, enquanto a eleição é um negócio difícil de lidar. Cada vez mais dispendiosas, os candidatos, por melhor que sejam, precisam de dinheiro para suas empreitadas. Dinheiro este que vem de empresários que sabem como e onde cobrar após as vitórias. Pouquíssimos conseguem sair dessa teia. Após eleitos, os parlamentares, por melhores que sejam, estão sujeitos a serem obrigados a fazerem conchavos para terem seus projetos ao menos visualizados. É a máxima do “uma mão lava a outra”. Projetos excelentes são deixados de lado, sobretudo quando não dão aos deputados votantes a visibilidade necessária com a imprensa.

Esse é um capítulo à parte. Ela, assim como as campanhas e empreiteiras, vive de dinheiro. Muito dinheiro. E o maior anunciante da imprensa é o governo – estadual, municipal e federal. Se retiradas as propagandas dos governos, muitos dos meios de comunicação fechariam. Aí a relação fica mais comprometida ainda. Se o governo atual dá x e a oposição promete 2x, logo a imprensa passa a denegrir o atual governo. Se o contrário acontece, a população passa a ser informada sobre um mar de rosas. Na relação com os parlamentares, a imprensa é ainda mais promíscua. Um deputado que consegue, por exemplo, um bom acordo para uma TV com um governo de seu partido terá todos os seus projetos muito bem divulgados. Muitos jornalistas recebem periodicamente de políticos. A corrupção é ampla, geral, irrestrita e suprapartidária.

A relação com as lideranças comunitárias é uma das mais tristes. A maioria é composta de pessoas pobres (ou ex-pobres), que se dedicaram a um determinado grupo por um tempo e obtiveram sucesso em suas reivindicações. Não tendo dinheiro ou estrutura para tentar um cargo eletivo, eles se aglomeram ao redor de um político já estabelecido oferecendo suas bases, que, obviamente, dão voto. Isso seria perfeitamente democrático e honesto, se não estivesse envolvido uma série de cargos e muito dinheiro. Hoje, lideranças oferecem seu apoio em troca de muita coisa (ou nem tanto assim). Não é raro ver funcionários completamente despreparados em gabinetes e nos órgãos públicos que estão ali ganhando muito bem, com valores acima do que ganhariam no mercado, em função de algum acordo feito nas eleições com algum candidato vitorioso. Ideologias e altruísmo caem por terra nessas relações. Afinal, a consciência de todos nesse processo só gira em torno do dinheiro. Lideranças do chamado movimento social organizado, muitas delas, não se eximem em trocar suas convicções por cargos e oportunidades. “Alguém tem que colocar comida na mesa”.

Quem quer que fique um mês dentro de uma Câmara Municipal, Assembleia Legislativa ou Câmara dos Deputados terá a incrível sensação de presenciar um teatro dos horrores. Os plenários, que seriam os espaços para os representantes do povo, democraticamente eleitos, debaterem melhorias para a população, servem apenas de palanque para fazer média com regiões e cidades do interior, aparecer nas tevês públicas e, sobretudo, acirrar discussões partidárias. Nunca vi nenhum parlamentar discutir seriamente um projeto no plenário. As discussões são todas travadas dentro de gabinetes, reuniões sigilosas, cantinhos, cafés, restaurantes e celulares. Ali é puro teatro. Caro e ultrapassado. Em sua maioria, vivem em um mundo à parte, entretidos com seus próprios interesses. A Assembleia de Minas, diga-se de passagem, gasta um bilhão por mês e nunca vi nenhuma manifestação contra isso. Nem a imprensa fala nada. Até porque é parte do gasto.

E como há partidos neste país! Inúmeras siglas de aluguel, sem qualquer base política ou ideológica. Em meio a tantos micropartidos, que vendem suas participações em coligações e pequenos cargos, temos hoje uma polarização. Mas não se engane. Você só escolhe qual efeito colateral prefere. Ambos servem a grupos financiadores com muito dinheiro. E são eles que dão as cartas.

Na última linha, está a população. Com a educação ruim, ela é ensinada a simplesmente consumir. A massa consumidora aumentou muito. Tudo bem, não posso negar que todos tenham direito a consumir, mas a educação, incluindo a educação política, ainda passa longe. A participação política da nossa sociedade é quase nula. Ainda que as manifestações nestes dias – iniciadas pelo aumento da passagem em São Paulo e crescendo para incluir os gastos do governo com a Copa, votação da PEC 37 e tantas outras causas de revolta – que me inspiram a escrever este desabafo deem a sensação de uma mudança iminente, a minha experiência pessoal com tudo isso não me deixa ser otimista. Vi inúmeros líderes de movimentos sociais ou estudantis, outrora “brilhantes”, intrépidos com megafones nas mãos e guiando multidões, transformarem-se em políticos nefastos, com os mesmos vícios das raposas velhas da política brasileira. Aliás, posso dizer com absoluta convicção que a geração de políticos que está por vir e hoje já ocupa cargos como vereador e deputado é muito pior que a anterior. Se esta, de FHC, Lula, Covas, Serra, Temer, Dilma etc. foi ao menos formada politicamente e em algum momento carregou alguma ideologia, a atual nem isso. São filhos do pragmatismo puro, sedentos por status e muito dinheiro. Estão no “lugar certo”. Voltando às manifestações, cansei de vê-las terminarem em bares e botecos, com todo muito “comemorando”, regado a cerveja e maconha. Diversas vezes, muitos dos manifestantes só estão ali pela festa, paquera e até contatos profissionais. Já vivenciei isso em várias oportunidades. Tudo bem. Pelo menos estão.


Sem uma mudança profunda de consciência, corremos sério risco de ver essas manifestações atuais serem usadas por um grupo político ou financeiro qualquer, ávidos por retornar aos seus cargos públicos e voltar a explorar a população, como fazem os atuais. Afinal, sem uma mudança de parâmetro, trocando o capital pelo espiritual e humano, apenas veremos uma troca de seis por meia dúzia. Se trocássemos todos os políticos atuais de Brasília, ou, como defendem estupidamente alguns idiotas, explodíssemos o Congresso, a população, despolitizada, deseducada e, sobretudo, sem consciência espiritual elegeria outros que também explorariam ou se corromperiam, porque não foram educados a enxergar um ao outro como almas espirituais e partes integrantes eternas de Deus, dispostas, portanto, a desenvolver amor genuíno pelos demais. Se instituíssemos um governo autoritário qualquer, seja de esquerda ou de direita, não escaparíamos de uma ditadura violenta e estúpida, tolhendo a liberdade individual, seja na aceitação de um Deus cristão, como advoga a direita evangélica e católica carismática, seja na predominância do pensamento pragmático ateísta, como setores da antiga esquerda.

E nós, companheiros espiritualistas, temos a melhor ferramenta do mundo em nossas mãos: os Santos Nomes Divinos. Eu demorei a entender que o melhor trabalho social possível, dentro do Movimento Hare Krishna, por exemplo, é Alimentos para a Vida e Harinama Sankirtana. Afinal, estes trazem a semente de uma mudança verdadeira no ser humano, que o faz despertar para a sua verdadeira felicidade e paz interior. Não adianta querer o fim da Dilma, do Alckmin, do Aécio, do Lula ou do Feliciano. Os próximos não serão diferentes enquanto a sociedade não cultivar valores e ideais diferentes. Arrisco-me a dizer que os próximos seriam piores, e os meios para esconder a corrupção, cada vez mais sofisticados. Ninguém quer perder o seu quinhão. Seremos sempre escravos do grande capital, da corrupção e do egoísmo. Da inveja, que nos prende a este local de nascimentos e mortes. Só sairemos deste ciclo quando conseguirmos, de fato, convencer as pessoas de que esta vida temporária é destinada a um propósito superior.

Não se iludam jamais ao pensar que apenas grupos de 10 mil ou 50 mil jovens irão mudar este país ao sair pelas ruas para protestar contra tudo. “Revolução”, dizem. Revolução como? O que de fato muda no íntimo? “Mostramos que não aceitamos mais essa roubalheira!”. Será? Ou nos esquecemos de uma máxima antiga, que diz que os políticos nada mais são do que um reflexo da sociedade? Afinal, são escolhidos dentro dela. A situação de Brasília e dos estados só reflete o quanto nossa sociedade é corrupta. O quanto os valores dela são os mais baixos e desprovidos de qualquer consciência espiritual verdadeira. Enquanto não conseguirmos atingir esses jovens em seus íntimos, eles correm ainda o risco de serem transformados em mera massa de manobra para grandes grupos de interesse. É óbvio que eu não sou contra as manifestações democráticas. Quaisquer que sejam. Oportunistas, sensatas, justas, inteligentes ou estúpidas, se não estiverem dotadas de violência, serei a favor. Aliás, é difícil não esperar violência de uma população que só se relaciona com os modos qualitativos materiais da paixão e da ignorância. Sem falar da PM… Porém, tenho plena convicção de que nada pode ser alterado de fato sem uma mudança de consciência.

Aos devotos de Krishna que têm aplaudido e participado dessas manifestações atuais, não deixem de organizar também Harinamas (canto congregacional nas ruas), grupos de Sankirtana (distribuição de livros) e Alimentos para a Vida (programa mundial de distribuição de alimentos lacto-vegetarianos espiritualizados). É isso que definitivamente pode mudar mesmo a atual situação. Chamou-se a atenção de todos para os problemas. Excelente! Harinamas e Prasada podem cuidar da solução. Outros grupos espiritualistas devem fazer o mesmo com suas armas. Em busca de uma mudança interna, sem deixar de lado, obviamente, a participação política efetiva, fiscalizando e cobrando cotidianamente, elegendo representantes dignos (raros) e acompanhando de perto o trabalho deles. Essa participação democrática ativa dos bons ajuda substancialmente o trabalho de quem quer construir algo melhor, inibe e afasta os desonestos. Não é nenhum fundamentalismo meu. Longe disso. É apenas uma análise de todos os fatos que eu colhi em minha vida e a esperança que eu sempre terei de mudar mesmo este mundo. É uma grande tarefa e uma árdua jornada. Mas temos as armas corretas. Pela minha formação pessoal, eu sempre serei um militante. E, por tudo isso, escolhi militar pela consciência de Krishna. “Não há outra maneira, não há outra maneira, não há maneira”. "

Fontes: Blog Volta ao Supremo


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